Cacau no semiárido

O cultivo de cacau adaptado às condições do semiárido do Norte de Minas tem avançado a partir de pesquisas desenvolvidas no campus de Janaúba da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Como parte dessas investigações, foram realizados os primeiros testes de produção de chocolate utilizando amêndoas provenientes de cacaueiros cultivados na Fazenda Experimental da universidade no município.

A produção experimental foi realizada com a variedade CCN 51, cultivada em condições controladas de manejo e disponibilidade hídrica, com o objetivo de avaliar o potencial da cultura para geração de produtos com maior valor agregado na região. O processamento e os testes iniciais de qualidade foram conduzidos no Laboratório de Tecnologia de Produtos de Origem Vegetal (TPOV) do campus de Janaúba.

O projeto busca analisar o desempenho tecnológico do cacau cultivado no semiárido e sua viabilidade para a produção de chocolate. Para isso, estão sendo realizadas avaliações físico-químicas e sensoriais do produto, incluindo análises de teor de gordura, compostos fenólicos e características relacionadas a aroma, sabor e textura.

As pesquisas também incluem o estudo da composição química das sementes de diferentes clones de cacaueiro cultivados na região, considerando fatores como genética da planta e condições de crescimento. Entre os parâmetros analisados estão compostos fenólicos e compostos voláteis, que influenciam diretamente o perfil sensorial, o potencial antioxidante e a qualidade tecnológica do cacau.

Os experimentos são conduzidos em condições de déficit hídrico controlado, permitindo compreender o comportamento da cultura em ambientes semiáridos e gerar conhecimento científico para o aprimoramento das práticas de cultivo, fermentação e processamento das amêndoas.

 

 

Os resultados obtidos até o momento indicam perspectivas promissoras para o cultivo de cacau no Norte de Minas, contribuindo para a diversificação da produção agrícola regional e para o desenvolvimento de cadeias produtivas baseadas em bioeconomia. A iniciativa também abre caminho para a produção de chocolates com identidade territorial, fortalecendo o potencial de produtos bean to bar originados no semiárido mineiro.

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